Chitchat

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sinestesia

Luzes brancas tocam nada mais que objetos inanimados. O silêncio livre, involuntário faz qualquer cair de pena um insosso estrondo ecoar por todos os cantos, enquanto ao nosso olhar, aquele gosto do anoitecer e o cheiro do final de mais um dia.
O gosto de salgados, sabores diversos, já não tem mais. Todos partiram, aquele lugar super populado de uma hora atrás agora já não tem mais o mesmo sentido, a mesma vida. Passeiam sem se desviar dos rios de gente cinco ou seis pessoas com um certo ar de cansaço atrelado a um clima de tarefa finalizada.
O ar quente e abafado de muitas pessoas concentradas num espaço mínimo, agora dá lugar a brisa fresca de uma noite típica de outono. Brisa essa que mesclada a um toque de limpeza recompõe a praça de alimentação para mais um dia rotineiro.
O ponteiro do relógio na pálida e gélida parede encosta anunciando as vinte e três horas. As últimas portas caindo no sono se abaixam e tocam aquele chão que, depois do sopro de vassouras e o toque frio dos panos molhados, agora brilha refletindo a claridade das lâmpadas que já não querem iluminar. E como se tudo estivesse pronto para dormir e as luzes para serem apagadas, o local já pode adormecer.

Por Fernanda Barros e Bruna Camargo

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